Espiritualidade · Primeiro número · Carta de abertura
Fixa os teus olhos em Cristo: por que razão nasce o Logos?
Este jornal começa com duas páginas escritas à mão: na da esquerda, uma mensagem recebida numa noite; na da direita, a oração da manhã seguinte, que é o primeiro passo. Hoje sai o primeiro número.

Este jornal nasce de um caderno aberto em duas páginas. Não são apontamentos de um jornalista. Na da esquerda há uma mensagem; na da direita, uma oração. Entre as duas, uma seta que as une. O que se segue é o relato dessas duas páginas, porque é daí que sai tudo o resto.
A página da esquerda: a mensagem
Escreveu-o de noite quem o recebeu, com a letra de quem anota depressa para não perder nada. Começa com uma súplica copiada do bom ladrão: “Lembra-te de mim quando vieres no teu reino”. Segue-se um pedido: “Ensina-me o caminho”, e um parêntese que muda tudo: “passos pequenos”. Depois, uma instrução: orar e pedir a Deus, em nome de Jesus, por esses passos, pequenos ou grandes, “desde que os desejos sejam para adorar a Deus e para ensinares o caminho aos que encontrares”. E uma advertência sublinhada: evitar a vaidade, que é tentação e vem do maligno. Termina com a frase mais livre das duas páginas: “Jesus perdoou-me. Não tenho nada a provar, e ainda menos por vaidade”.
A página da direita: a oração
Na manhã seguinte, a mesma mão fez o que a mensagem dizia: orar e pedir. Com um título sublinhado, “Orações”, e sem adornos. Pede uma esposa, “a que Deus quiser”, e que ela o ajude a adorar a Deus e a ensinar o caminho aos outros. Pede que lhe tirem os maus hábitos que lhe destroem o corpo, porque o corpo é templo de Deus. E reconhece o que quase ninguém escreve: “eu sozinho não consigo; só posso dizer: Lembra-te de mim quando vieres no teu reino”.
Mais abaixo há uma caixa com uma pergunta lá dentro: “Como saio deste ciclo? Sem sofrer? E também sem perder a vida eterna?”. O ciclo é este: queres livrar-te dos maus hábitos e das falhas; Deus perdoa-te; voltas a falhar; Deus volta a perdoar-te. E assim sucessivamente. Qualquer pessoa que tenha tentado mudar algo em si mesma conhece-o, e conhece também a armadilha: acreditar que se sai dele esforçando-se mais, prometendo melhor, fazendo o mesmo com mais força. Não se sai assim. Sai-se quando se deixa de fingir que se consegue e se diz a verdade: “eu sozinho não consigo; estou preso neste ciclo, e a única coisa que me resta dizer é: lembra-te de mim quando vieres no teu reino”. Essa frase não é uma rendição. É o primeiro passo. É o que diz a caixa um pouco mais abaixo: “É a fé. Deus mostra-te o primeiro passo, e não desconfiar. E o que vem depois? É como andar sobre as águas: fixa os teus olhos em Cristo”.
O primeiro passo
Pedro saiu do barco porque Jesus lhe pediu, e andou enquanto tinha os olhos nele; começou a afundar-se quando os pôs nas ondas. As duas páginas do caderno contam o mesmo, por ordem: primeiro chega a mensagem, depois obedece-se. A oração da direita não é um comentário à mensagem da esquerda: é o primeiro passo que a mensagem pedia, dado na manhã seguinte a partir de dentro do ciclo, sem saber ainda qual será o segundo. Isso é a fé em passos pequenos.
Nós traduzimos isso numa regra editorial. A oração foi o primeiro passo. Este jornal é apenas mais um passo.
Edição de amostra: os textos são provisórios e serão substituídos por conteúdo real.